Pesquisa de brasileiros sobre AVC é destaque no exterior comprovando método seguro e eficaz

The New England Journal Of Medicine, uma das mais prestigiadas revistas na área da medicina divulgou a pesquisa de médicos brasileiros para comprovar a segurança e eficácia da trombectomia mecânica no Sistema Único de Saúde (SUS) para tratamento de casos agudos de acidente vascular cerebral (AVC).

A trombectomia funciona como um cateterismo, em que um cateter é usado no AVC isquêmico para desobstruir um vaso sanguíneo no cérebro de forma mecânica, removendo o coágulo com o uso de um stent ou por sucção. O tratamento usado atualmente é a trombólise, em que se administra medicação na veia para dissolver o coágulo que interrompe a circulação cerebral. Os medicamentos são chamados de trombolíticos e são eficazes nos AVCs menores.

No entanto, no AVC isquêmico agudo, quando há obstrução de grandes vasos, o tratamento por trombólise intravenosa está associado a baixas taxas de eficácia. Nesses casos, a trombectomia mecânica representa uma alternativa terapêutica mais eficaz.

Conforme a Agência Brasil os pesquisadores concluíram que, quando comparada aos tratamentos medicamentosos que estão no SUS, a trombectomia mecânica aumenta de 21% para 35% a independência funcional do paciente, além de diminuir em 16% a mortalidade ou o risco de dependência grave. As pessoas que receberam a trombectomia tiveram 2,6 vezes mais chances de ficar independentes, ou seja, sem precisar de outras pessoas para as atividades diárias, e tiveram 3,4 vezes mais chances de ficar sem sequela alguma na comparação com pacientes que fizeram apenas tratamento clínico.

Segundo a Rede Brasil AVC, o uso do cateter já ocorre em 68 hospitais privados do país e é uma realidade na rede pública de outros países, como o Canadá e o Chile. A adoção da trombectomia no SUS depende da aprovação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec). O estudo já foi submetido à Conitec e aguarda aprovação.

“A aplicação da trombectomia no SUS depende da aprovação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologia no Sistema Único de Saúde (Conitec). Tivemos uma reunião em março com o Ministério da Saúde, em um grande evento, no Rio de Janeiro, antes da pandemia e ficou acordado que nós submeteríamos, como pesquisadores apoiados por todas as nossas sociedades, a solicitação de incorporação [do procedimento]. Isso foi feito, na última semana, junto com a publicação no renomado The New England Journal Of Medicine, já encaminhando os resultados oficiais”, disse Sheila Martins.

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